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‘Tirinhas’ do cartunista Orlandeli educam carentes
São José do Rio Preto, 29 de abril de 2006
  Edvaldo Santos  
Tiras criadas por Orlandeli, são exibidas no São Judas Tadeu

Renata Fernandes

10:30 - As tiras em quadrinhos feitas pelo cartunista do Diário da Região, Walmir Orlandeli, têm sido usadas para educar e transmitir informações importantes a alunos carentes. A série em que o personagem Grump se lança candidato e tem como concorrente um político corrupto foi o foco, nesta semana, para a discussão entre os adolescentes atendidos no Serviço Social São Judas Tadeu de Rio Preto. A entidade atende 350 ado-lescentes que regem o “Governo Mirim”, idéia do fundador da entidade, padre Ângelo Dell'Oro, de ter no local uma “Cidade Mirim” - com escolha, entre os próprios adolescentes de prefeito, vice-prefeito e demais cargos. O projeto funciona desde 1962. O coordenador do Governo Mirim, André Botelho, diz que como neste ano onze chapas disputam a preferência dos adolescentes, seis no período da manhã e cinco à tarde, era necessário instrui-los sobre cida-dania, meio ambiente, conservação do patrimônio, entre outros assuntos. O processo é semelhante ao que acontece nos municípios: os concorrentes apresentam propostas, fazem campanha, participam de debates e depois esperam o resultado das urnas.

“O mais difícil nesse tipo de trabalho é prender a atenção da molecada. Ao ler as tiras do Orlandeli percebi que todas passavam mensagens positivas e de cidadania, as quais se encaixavam ao que precisa passar aos adolescentes. Com isso, comecei a usá-las como método educativo”, diz. Botelho garante que o resul-tado foi surpreendente. Ele conta que diariamente no início das atividades os educandos se reúnem para uma “reflexão”. Neste encontro são discutidos temas do dia-a-dia, como saúde, direitos, deveres etc. “As tirinhas mostram, de forma divertida, situações que precisam ser debatidas”, diz. Segundo ele, o uso das “Aventuras do Grump”, quando este resolve ser candidato, foi importantíssimo para o processo eleitoral do Governo Mirim. “Com a história foi possível discutir a índole de candidatos, o papel do eleitor, a importância da fiscalização e a necessidade de informação e discernimento no momento da escolha”, afirma.

De acordo com a psicóloga Lucimara Sônego Romano, do Serviço Social São Judas, os quadrinhos na educação são uma interessante ferramenta de trabalho com os adolescentes, pois é difícil para o educador prender a atenção de jovens quando o assunto é sério. “Com os quadrinhos a situação se inverte já que por meio dos desenhos é possível explicar o abstrato de maneira concreta e bem divertida.” Ela afirma que são muitos os benefícios do uso das tirinhas na educação, porque os adolescentes associam a mensagem aos desenhos e depois multiplicam as informações para outros amigos e familiares. “Com os quadrinhos as conversas não ficam restritas ao período da reflexão, se estendem durante todo o período de atividades.” Tanto que o candidato a prefeito de uma das chapas, Bruno Henrique Jacinto, conta que mesmo depois das discussões em sala de aula, ele e os amigos continuaram a falar sobre o tema no ônibus de volta para casa. “O jeito do Orlandeli fazer as tiras é muito legal. O Grump, por exemplo, é irônico e satiriza as situações reais do nosso País”, comenta.






Editoras nacionais já compraram tiras
As tiras do cartunista e ilustrador Walmir Orlandeli já foram solicitadas por duas grandes editoras, a Saraiva e a Brasil, para fazer parte de livros didáticos de português. Orlandeli comenta que pelo menos 10 tiras já foram vendidas para a publicação didática das mesmas. Ele diz que os professores costumam usá-las para explicar metáforas, analogias, entre outras figuras de linguagem. O criador do Grump sente-se orgulhoso por ver seu trabalho sendo usado para instruir. “É satisfatório saber que posso contribuir ao menos à refelexão de temas importantes à formação das pessoas.” Ele afirma que transpõe para o papel situações reais do cotidiano. “Quando desenho não tenho como principal objetivo o caráter educativo, mas é bacana saber que as pessoas usam meu trabalho como referência para a educação”, afirma.

Orlandeli conta que a elaboração da série que orientou os alunos do Serviço Social São Judas Tadeu surgiu da vontade de fazer algumas charges. “Não tenho feito muitas charges, que têm forte conteúdo político, então aproveitei as tiras para expor a forma como vejo o atual cenário político do País.” Ele explica que as tiras proporcionam mais espaço para criar, já que elas permitem fazer séries de determinados assuntos. “A série em que o Grump foi candidato também foi uma forma de protesto, já que na política, hoje em dia, o marketing, o dinheiro que os candidatos têm para vender seu peixe valem mais que a ideologia do candidato”, diz.
 

Matéria retirada do site www.diarioweb.com.br